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quinta-feira, setembro 22, 2005

Reverência aos mestres

Hoje é uma data comemorativa para aqueles que, como eu, são fãs de Whitesnake: há 56 anos atrás, nascia David Coverdale, vocalista e mentor dessa incrível banda de hard rock, da qual costumo me orgulhar em dizer que tenho todos os seus álbuns. Mais do que uma incrível voz e um excelente compositor, David é uma grande inspiração por conduzir a banda através de qualquer adversidade, sendo ele próprio a alma de seu trabalho.

O Whitesnake não possui uma formação fixa. A banda toma forma quando David reúne algumas composições e escala alguns bons músicos para acompanhá-lo. Na essência, é a batalha de um homem só, e ele segue em frente incondicionalmente. Esta tem sido a minha inspiração diante de todas as dificuldades do meu próprio trabalho.

Eu pensei em publicar aqui uma biografia de David Coverdale, mas não encontrei nada muito consistente. Porém, este site tem algo bastante interessante: uma versão em quadrinhos da biografia do Whitesnake. Vale a pena conferir.

Happy birthday... master!!

quarta-feira, setembro 21, 2005

“Gotta love the sweet taste of India...”
(Aerosmith – Taste of India)

Depois de anos de dedicação cuidando dos sistemas do BankBoston, hoje presenciamos nosso setor ser “terceirizado” (mas podem entender como “vendido”) para a Tata Consultancy Services – apenas “Tata” para os íntimos – uma consultoria indiana de informática.

É assim que agradecem nosso comprometimento de tantas noites, madrugadas e fins-de-semana perdidos a fim de que o sistema permanecesse no ar e os projetos fossem entregues dentro do prazo. Fomos repassados a terceiros como se fôssemos gado. Esperemos melhor tratamento dos indianos – pelo menos, lá as vacas são sagradas...

segunda-feira, setembro 19, 2005

O casamento do meu melhor amigo

Então foi assim: mais um dos meus amigos passou para o time dos casados, aqueles caras com mais barriga e menos cabelo nos bate-bolas de domingo. Incrível como teve gente casando nesse fim-de-semana: além do André, a irmã de uma amiga e um cara daqui do Banco também encararam seus respectivos altares no sábado passado.

Alguns compromissos profissionais me impediram de comparecer à cerimônia, realizada em Garça, lá nos cafundós do interior de São Paulo. Também não tem problema: eu não devo ter feito muita falta mesmo. Afinal, quatorze anos de amizade foram jogados na lata do lixo, na hora do André escolher os padrinhos. A preferência foi para um amigo que surgiu muitos anos depois, mas que teve a sorte de se ajeitar com uma namorada muito antes de mim, sendo portanto muito mais útil aos “programinhas de compadre” desse povo. Desculpa aí por não ter a mesma sorte de vocês, viu André? Vou me lembrar muito bem do seu tocante gesto, se um dia eu me casar.

O pouco tempo que sobrou para o meu fim-de-semana foi gasto cuidando da minha amada, que esteve super debilitada por causa de um dente de ciso infeccionado. Muito chato vê-la daquele jeito, fraca e chorando de dor, mal podendo comer por causa da dor de dente. Cenas de um fim-de-semana triste, chuvoso e cinzento, de um cara que bem que tenta vencer sua depressão.

quinta-feira, setembro 15, 2005

O dia de hoje está calmo por demais, aqui desses lados. Sabe aqueles dias em que as árvores mal se mexem, as folhas demoram uma eternidade pra cair e pode-se ouvir até a própria respiração? Pois é, tá um dia assim: solzinho morno lá fora, silêncio e calmaria aqui dentro. Bate até uma preguiça...

Isso me inspira a postar sobre um assunto que ronda minha mente há uns tempos: paciência.

Nos exames de faixa do Karate, somos avaliados também pela quantidade de oponentes que conseguimos enfrentar consecutivamente. Em meu último exame foram cinco oponentes, um após o outro. No próximo, serão dez. No exame para a faixa preta, vinte oponentes me aguardarão em fila indiana, e a quantidade continua a crescer na mesma proporção para as graduações seguintes. O exame para 4º Dan (quarto grau da faixa preta), por exemplo, é efetuado apenas no Japão e envolve nada menos do que 100 lutas consecutivas! É evidente que o candidato deve aprender a administrar sua energia ao longo do exame, se não quiser ser um alvo fácil para os últimos oponentes.

Dentre os itens que mais tiram a paciência das pessoas, frequentemente vejo mulheres e crianças serem citados. Maridos ou namorados não costumam ter paciência para acompanhar a cara-metade ao shopping center. Pais e adultos em geral se descabelam quando têm que tomar conta de uma criança. Curiosamente, tratam-se de duas atividades que não me causam grandes dificuldades. Algum segredo mágico? Eu não diria.

Vamos amarrar os dois fatos para que as coisas façam sentido. Amigos, aceitem essas realidades: vocês NUNCA conseguirão fazer uma criança se portar como um lorde – pelo menos, não por mais do que alguns segundos. Para elas, um sofá não é um assento, mas sim um grande pula-pula. E as mulheres JAMAIS entrarão em um shopping center munidas da objetividade masculina. Essas atividades demandam muita paciência, portanto... administre sua energia! Se tiver que tomar conta do seu pimpolho, deixe-o correr à vontade: ninguém precisa ser maratonista para seguir o ritmo daquelas perninhas curtas. E se a gata quiser ir comprar um sapato, vá com a certeza de que ela vai experimentar quinze saias, doze bolsas, vinte e três blusinhas, dezoito cintos... e os sapatos vão continuar lá na loja!

Se uma atividade pesarosa lhe aguarda, não gaste toda a sua energia no início dela. Predisponha-se a encarar a empreitada, e guarde fôlego para todo o longo caminho. Jamais pare de lutar, mas diminua o ritmo de vez em quando para poder respirar um pouco. Ou se você preferir, resuma tudo isso àquela frase magnífica: “Relaxa e goza”...

quarta-feira, setembro 14, 2005

Guerra declarada

Acho que está na hora de admitir uma coisa para mim mesmo: eu sofro de depressão!

Estive olhando o tom das minhas postagens, e acho que uma análise mais fria destes não poderia levar a outra conclusão. Eu sempre disse que meu pior inimigo é um demônio que ruge dentro de mim, lutando constantemente com a minha alma. Acho que agora este demônio tem um nome.

Bem que Musashi costumava dizer que nossos piores inimigos estão sempre aquém da ponta da espada. E no Livro dos Cinco Anéis, ele disse outra coisa importante: é essencial conhecer bem o oponente para combatê-lo. Ao que tudo indica, a principal arma de meu inimigo consiste em me fazer enxergar as coisas de uma forma muito pior do que talvez elas realmente sejam.

Se estou buscando ajuda? Não tenham dúvida disso. Mas, essencialmente, superar esta dificuldade não deixa de ser uma luta. Mais um importante desafio na vida de um Aprendiz de Samurai.

terça-feira, setembro 13, 2005

“...as I dream about movies they won´t make of me when I´m dead”
(Bon Jovi – Bed of Roses)

Tive uma espécie de sonho ou visão um dia desses, no mínimo curiosa: sonhei com a minha própria morte!

Era como uma cena de filme: meu momento derradeiro envolvia uma luta. Talvez não no sentido mais denotativo da palavra, aquela coisa da troca de golpes. Mas meu momento final se dava lutando por alguma causa. De acordo com o Bushido, quando um samurai tem que escolher entre a vida e a morte, esta última deve ser sua escolha, desde que não seja vã. E foi essa condição que me levou ao meu fim.

Ainda sobre o Bushido, me lembro de algo que o Shihan Isobe nos disse: o verdadeiro guerreiro é nocauteado com os olhos abertos. Ser derrubado apertando as pálpebras umas contra as outras demonstra falta de controle sobre a própria dor. Espírito fraco, portanto. Quando meu corpo foi derrubado já sem vida, os olhos permaneceram abertos, demonstrando a vontade de ainda cumprir o destino que havia sido frustrado pela derrota fatal.

Meus amigos se acercaram de mim quando a poeira da batalha começava a baixar. O mais próximo deles enxugou o sangue de meu rosto e cerrou minhas pálpebras, dizendo em tom pesaroso:

- “Descanse em paz, meu amigo. Que no outro mundo você finalmente encontre uma namorada e uma praia esperando por você...”

Sua voz embargada foi a única coisa a se contrapor a um requiem soprado pelo vento.

Meu corpo foi posto em uma sepultura florida, situada em uma colina gramada, sob a garoa fina que caía de um céu pesadamente nublado. Aqueles que sempre me foram caros voltaram suas costas e desapareceram, um a um, entre a bruma cinzenta e fria. Em algum lugar do além, meus pés tocavam a areia fina de uma beira de praia, enquanto do outro lado da orla, uma silhueta feminina recortada pelo pôr-do-sol aguardava pacientemente por mim.

Depois de muitos dias com a internet boicotada, finalmente estou de volta, sabe-se lá por quanto tempo. Não bastassem esses entraves, ainda estou encarando uma tremenda dor de garganta, que me deixou quase afônico.

O mais interessante é que tenho recebido – pasmem! – elogios, dizendo que minha voz está mais pomposa, mais encorpada, mais atraente... dá pra acreditar nisso? Bem que eu gostaria que ela continuasse assim, sedutora, mas desse jeito não dá pra cantar com a banda, nem retomar as aulas de canto. É um belo dilema...

segunda-feira, setembro 05, 2005

Em novembro de 2003, o atleta Ewerton Teixeira disputava a semi-final do 8º campeonato mundial de Karate Kyokushin, contra o japonês Hitoshi Kiyama. A outra semi-final já havia sido ganha pelo russo Sergey Plekhanov, de forma que se Ewerton ganhasse, o título mundial seria disputado entre um brasileiro e um russo. Além da possibilidade do Brasil conquistar o título pela segunda vez consecutiva, havia o “risco” de não haver um atleta japonês na final do campeonato, vergonha que se somaria à derrota sofrida por Hajime Kazumi no campeonato anterior, contra o brasileiro Francisco Filho.

Apesar de jogar seu oponente para fora da área de luta três vezes, Ewerton conseguiu apenas que os juízes lhe conferissem um hikiwake (empate). A luta se estendeu por um round extra, e os juízes deram a vitória a Kiyama. Os aplausos conferidos aos atletas não foram suficientes para abafar as vaias aos árbitros. Kiyama viria a vencer o campeonato, cabendo a Ewerton a vitória moral. De volta ao Brasil, ele nos contou que “no Japão, você luta contra o oponente e contra os árbitros”.

Descobri recentemente que tenho um problema de gastrite. Agora, tenho que tomar uma série de remédios e me privar de vários alimentos, se quiser “não ter mau hálito”. Somam-se a isso o aparelho nos dentes, as sessões de RPG para corrigir a postura, as altas cifras gastas com roupas novas, a malhação para manter a forma e todos os outros tratamentos para ser um cara “normal”, e assim manter minhas chances de aceitação. Aceitação essa que simplesmente cai no colo de tantas outras pessoas, fato que se comprova com uma simples visita no Orkut: tantos amigos de infância já estão casados, com filhos... e eu? Vinte e nove anos de luta e muitos tratamentos depois, continuo sendo o último da lista quando o assunto é aceitação??

Definitivamente, as regras da luta não são as mesmas para todos...

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