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sexta-feira, fevereiro 27, 2004

Será que eu o verei de novo na TV, pregando sobre a terra prometida ? Ele me disse "Acredite em Jesus", roubou o dinheiro de minhas mãos. Alguns dizem que ele era um bom homem, mas Deus, eu acho que ele pecou...

Vinte e dois anos de lágrimas mentais chora um veterano suicida do Vietnã, que lutou uma batalha perdida em uma fronteira estrangeira para descobrir que seu país não o queria de volta. As balas deles levaram seu melhor amigo em Saigon, nossos advogados tomaram sua esposa, seus filhos, sem remorso... Em uma época que eu não me lembro, em uma guerra que ele não poderá esquecer. Ele implorava "Perdoe-me pelo que eu fiz lá, pois eu nunca tive a intenção".

Me dê algo em que acreditar, se há um Deus lá em cima. Me dê algo em que acreditar, erga-se, Deus.

Meu melhor amigo morreu como um homem solitário em algum quarto de hotel em Palm Springs. Eu liguei para eles na última noite de natal e eles me deram a notícia. Eu tentei, durante a noite inteira, não me desesperar e chorar, enquanto as lágrimas rolavam pelo meu rosto. Eu me senti tão frio e vazio como uma alma perdida fora de seu lugar. E o espelho, o espelho na parede parece sorrir e se apagar novamente.

Às vezes desejo que eu não soubesse agora as coisas que eu não sabia até então
(Estrada, você tem que me levar para casa)...

Eu dirigo por entre os desabrigados dormindo em uma rua fria e escura, como corpos em uma cova aberta, debaixo de uma velha placa de neon quebrada, onde se costumava ler "Jesus Salva". A uma milha dali vivem os ricos, e eu vejo como eles vivem: enquanto os pobres comem com as mãos, os ricos bebem de uma xícara dourada. E isso apenas faz com que eu me pergunte por que tantos perdem e tão poucos ganham

Sim, às vezes eu gostaria de não saber as coisas que eu não sabia até então.

Me dê algo em que acreditar...

quinta-feira, fevereiro 26, 2004

Neste próximo domingo, 29/02, uma pessoa muito importante completará mais um ano de vida. Trata-se de ninguém menos do que o Shihan Seiji Isobe, grão-mestre de Karate Kyokushin de toda a América do Sul.

Quem visita o Dojo Liberdade e vê aquele homem sério e grisalho, sentado em sua mesa e compenetrado em suas tarefas, não imagina os grandes feitos que ele já realizou. Foi ele quem trouxe para a América do Sul o estilo de Karate criado por Masutatsu Oyama, tendo sido um dos melhores discípulos deste. Foi ele também quem treinou o brasileiro Francisco Alves Filho para ser o primeiro e único não-japonês a conquistar o título de campeão mundial neste estilo. Graças a esse treinamento, sensei Chico também realizou o teste das cem lutas, completando-o em tempo recorde e realizando o maior número de vitórias por wazari e ippon já registrado neste teste. Por estes e tantos outros grandiosos feitos, Shihan Isobe é considerado o mestre de maior nível técnico em todo o mundo.

Hoje, 31 anos após sua chegada ao Brasil, a força física e interior deste homem continua a nos impressionar e inspirar. Espero um dia chegar à sua idade com o mesmo vigor e disposição. Para mim, é uma grande honra treinar em sua presença e ser avaliado por ele próprio em cada exame de faixa. Por esses motivos, uno meu respeito e admiração aos dos demais lutadores de todo o mundo, e deixo aqui registrados meus votos de longa vida ao Shihan Seiji Isobe !

A propósito: se alguém tiver alguma idéia de um bom presente para uma pessoa tão ilustre, aceito sugestões.

Osu !

quarta-feira, fevereiro 25, 2004

Como foi o carnaval de todos vocês ? Espero que tenham aproveitado !

O meu, pra falar a verdade, foi bastante "molhado". Incrível como só choveu na terra da garoa. Mesmo assim, esse feriado valeu para tirar o atraso (do sono, e infelizmente só dele), para treinar bastante Karate e atualizar o repertório de filmes. Se vocês quiserem assitir a um filme divertido e forçado, com pouca história e muita ação, assistam "Demolidor" ou "A Liga Extraordinária".

Esse último, inclusive, foi assistido na companhia de ótimos amigos. Pena que, mais uma vez, eu fui o elemento ímpar. Mas a luta por mudar essa situação continua. André e Lu, valeu mesmo pela companhia no feriado, e me desculpem por qualquer coisa !

Agora que o feriado e a chuva na varanda já passaram, vamos ver se a saudade que me fez companhia nessas últimas tardes cinzentas também vai embora.

sexta-feira, fevereiro 20, 2004

"Seguiremos nosso Deus e eternas verdades, jamais esqueceremos a verdadeira virtude da humildade".

Esta é a quinta das sete frases que compõem o Dojokun, o juramento do Karate Kyokushin. Religiosamente em todo final de treino, repetimos em coro as sete frases do Dojokun, para que os fundamentos de nossa filosofia jamais sejam esquecidos.

Hoje, resolvi falar sobre um célebre brasileiro, com quem eu ando precisando me reconciliar: Deus.

Houve uma época em que eu acreditava que somente na igreja havia pessoas a serviço do nosso amigo altíssimo. Mas eu aprendi que o termo "onipresente" tem um significado muito mais profundo. Em todos os lugares, muitas vezes onde nós menos imaginamos, existem pessoas a serviço dos propósitos d´Ele, mesmo que estas pessoas não carreguem uma cruz ou qualquer outro símbolo pendurado no peito.

Algumas pessoas Ele escolhe para serem catequistas. Outras pessoas são escolhidas para serem sacerdotes. Outros, ainda, Ele escolhe para serem guerreiros. E é justamente esta última condição que pode ter salvo minha vida ontem: se eu não tivesse o auto-controle cultivado pelo Karate, talvez tivesse entrado em pânico e aquela arma poderia ter disparado. Espero um dia poder retribuir a Ele por isso, ensinando a outros a serem fortes e controlados, exatamente como meus mestres fizeram por mim.

quinta-feira, fevereiro 19, 2004

Quer me tirar realmente do sério ? Mexa com o meu sono. Nem de longe eu recomendo a tentativa - minha reação pode ser muito além da capacidade humana de se responsabilizar pelos próprios atos. Poucas coisas me tiram tanto do sério quanto ser tolhido do direito de uma noite saudável de sono.

Às onze e meia da noite de ontem, eu estava voltando para casa após mais um treino - todo moído e exausto, como não poderia deixar de ser. Num momento desses, só dá para pensar em três coisas: um chuveiro quente, um belo prato de comida e uma cama bem macia. Qual não foi meu desgosto em atender o celular e dizer adeus a tudo isso: um problema no sistema me fez voltar ao trabalho na mesma hora.

Já eram três da madrugada quando eu consegui fazer o sistema contornar a burrada de um usuário (sim, o nosso sistema infelizmente não é à prova desses gremlins tecnológicos). Só às quatro da manhã eu pude finalmente deitar, na ilusão de que teria algum sossego. Às cinco e meia, meu celular começou a implorar para ser atirado na parede. Como eu ainda vou precisar do aparelho, resolvi atendê-lo. E mesmo com o cérebro tentanto recobrar um nível razoável de consciência, deu pra entender que a minha presença no trabalho era mais uma vez necessária, e desta vez com mais urgência.

Saldo final da noite: uma hora e meia de sono, e daí direto para o batente. Agora estou aqui, ralando e lutando para me manter acordado. Isso me faz lembrar algo que eu postei há alguns dias: estar preparado para o inesperado. Assim como no Karate ninguém espera ter de lutar um round extra, na vida ninguém espera ter que voltar ao trabalho quando já está com um pé na cama.

Estar preparado para tudo é assim. Se bem que eu devia ter ouvido a minha mãe, quando ela dizia: "estuda, meu filho, senão você vai ser analista de sistemas". Deu nisso...

quarta-feira, fevereiro 18, 2004

"Durante o período das grandes navegações, os japoneses tiveram seus primeiros contatos com o mundo ocidental através das caravelas portuguesas que atracaram na ilha de Tanegashima, as pioneiras de sua coroa a chegar a essas terras. Ávidos por difundir seus costumes e explorar novos mercados, os portugueses traziam em sua bagagem a cultura cristã e os mosquetes, que ficariam conhecidos no Japão como Tanegashima Kenpo (bastão de Tanegashima). Em muito breve, o poder destrutivo dessas armas de fogo viria demonstrar seu intento de subjugar as espadas, símbolo da alma, disciplina e determinação dos samurais.

Percebendo a influência venenosa da cultura ocidental sobre suas tradições, os samurais decidiram por expulsar os portugueses de seu arquipélago, num ato que culminou em séculos de isolamento do mundo ocidental."


Hoje, um amigo me ligou para fazer um convite inusitado: ir à sua festa de aniversário em uma danceteria "católica" (dá pra imaginar como seria isso?). Procurando saber mais sobre o local, fiquei sabendo que a tal danceteria só toca músicas religiosas (algo do tipo "pump it up, aleluia"), não serve bebidas alcoólicas (o que já seria de se esperar), e que a noite não começa sem antes ser celebrada uma missa ! Já imaginou ir para a balada e dar de cara com uma missa ?

Não sei se sou eu que ando muito averso aos milhares de "nãos" que existem nos dez mandamentos, mas fiquei me perguntando se é necessário tudo isso para garantir uma diversão saudável: NÃO tomar bebidas alcoólicas, NÃO ouvir músicas "mundanas", rezar uma missa antes de qualquer evento... Será que os jovens carismáticos não confiam no próprio juízo ? Tudo isso é medo de cair em tentação ? É preciso alienar-se ao mundo que nos cerca para viver em retidão ?

Minha religião que me perdoe, mas meus instintos samuraicos sentem um quê de manipulação nisso tudo. E vocês, caros visitantes, que me dizem ?

terça-feira, fevereiro 17, 2004

Uma palavra para dar o tom no dia de hoje: acreditar.

Coincidência ou não diante do que tem acontecido, há poucos dias preguei um cartão postal do Johnnie Walker na divisória da minha mesa, com os seguintes dizeres:

"Acreditar é o primeiro passo para toda conquista".

E seguindo o exemplo dos meus amigos do Bon e Velho Jovi, aí vai o trecho de uma letra do Jon, dedicado à pessoa que passou o domingo comigo:

"I believe,
Believe in every breath that I breathe
You and me could turn a whisper to a scream"


Se eu não acreditar que um dia tudo terá que dar certo... quem mais acreditará ?

segunda-feira, fevereiro 16, 2004

Interessante a maneira como o mundo dá voltas. Voltas que nos fazem voltar atrás em nossas resoluções de manter silêncio e nos afastar. Voltas que colocam um homem infeliz em um momento que o faz desejar parar o tempo para sempre. Incrível como hoje estou tão feliz quanto perplexo. E olha que eu estou felicíssimo.

Este domingo foi tão especial que eu não podia deixar de escrever, mesmo tendo prometido manter silêncio neste site. Vejam quantas coisas boas podem ser feitas em apenas um dia:

Primeiro, fomos correr de manhã bem cedinho, o que serviu de aquecimento para o treino de Karate, que veio logo em seguida. Saindo do treino, fomos ao Shopping Villa Lobos, curtir um belo almoço de comida japonesa para dois. Depois de uma volta rápida pelo shopping fomos ao parque Villa Lobos, caminhar, conversar, rir e tomar sol juntos, curtição perfeita para um fim de tarde de verão. E ainda tivemos tempo para um cinema no fim da tarde. Foi um dia maravilhoso, apesar de um fato inexplicável: por que os fatos não se consumaram ? Por que não aconteceu o desfecho que qualquer pessoa no meu lugar esperaria ? Será uma questão de tempo, ou estamos falando de outro fato que a ciência não explica ?

Peço a vocês que não sejam ávidos em julgar, sem conhecer os (muitos) fatos que precederam este dia. Mas na vida de algumas pessoas, as coisas simplesmente acontecem. E dão certo, muitas vezes inclusive de primeira. Para outras, os acontecimentos insistem em desafiar a compreensão humana. E quando sua vida se torna o palco de eventos tão sobrenaturais, tão dignos de um capítulo de "Arquivo X", convém ser forte como um guerreiro para suportar as guinadas bruscas de um destino desgovernado.

quinta-feira, fevereiro 12, 2004

Dias vazios, solitários, sombrios. Dias em que o centro da cidade é o lugar mais deserto para caminhar. O dedilhado de "Wasted Time", do Skid Row, ecoa em minha mente. Mas a música nunca começa. É a trilha sonora da Jornada do Samurai Solitário.

Tenho me perguntado por que minhas reflexões não têm rendido comentários neste site. Não é uma resposta difícil de achar: quem iria querer visitar o blog de um cara que vive expressando sua revolta com o destino ao qual foi condenado ? Imaginei que muitas vozes se manifestariam, cheias de consideração, me dizendo que eu estou errado. Pelo jeito, eu não estou tão errado assim. Parece que eu andei lançando mensagens engarrafadas ao mar, na ilusão de que voltariam respostas. Criei uma expectativa de aprender, quando era eu quem deveria ensinar. Acho que estou falhando na minha missão de compartilhar conhecimento e verdade com as pessoas.

Suportei o suplício de ir ao cinema sozinho, rodeado de casais de namorados que eu nunca vi na vida. Dentro de alguns anos, estarei ainda mais sozinho neste mundo. Tornar os grupos ímpares não é exatamente uma boa contribuição. E meus pais não viverão para sempre. Talvez eu mesmo deixe esta vida antes deles. De qualquer forma, seremos apenas eu e o cara no espelho, um por conta do outro.

Eu gostaria de poder ser mais grato - e mais feliz - pelos sinais de esperança que têm aparecido pelo caminho. Mas não posso me dar por satisfeito enquanto não houver resultados. A guarda não pode ser baixa enquanto o inimigo não estiver claramente morto. E até este dia chegar, não haverá paz, não haverá descanso, não haverá notícias sobre o samurai peregrino. Assim como não haverá comentários sobre este post.

segunda-feira, fevereiro 09, 2004

Neste último domingo, fui ao cinema assistir "O Último Samurai". Daria para não comentar ? Não neste blog, com certeza.

Em primeiro lugar, é preciso fazer vista grossa a alguns clichês holywoodeanos: o primeiro sepukku (ritual de suicídio por desentranhamento) mostrado no filme traz um erro grave por parte do kaishakunin (algoz do ritual), que deixa rolar pelo chão a cabeça do samurai morto, quando esta deveria ser deixada pendente no corpo, sob pena de cometer grave desrespeito. Além, é claro, das proezas que só o Tom Cruise e a mãe dele acreditam que ele seria capaz, como reiventar o estilo Niten Ichi Ryu (luta com duas espadas), em cena claramente copiada da história real de Miyamoto Musashi, o maior samurai da história japonesa.

Em todo caso, o drama acentuado é o que traz lucros ao cinema, e uma referência ao maior dos samurais seria indispensável, o que torna perdoáveis as pontas soltas na verossimilhança. O importante é que o filme traz uma visão bastante real do bushido, o código de honra dos samurais, ao mostrar - e inclusive exaltar - a determinação e disciplina que forjam a filosofia de um samurai, assim definida: enquanto houver um único sopro de vida, lutar com todo o seu espírito e força pelos ideais de seu coração.

Fica aqui, então, a minha dica para quem quiser assistir a um bom filme, pois este retratou dignamente nossa realidade: É assim conforme o bushido que vivemos, e em honra a este mesmo bushido morremos. Desdenhamos a morte se nossa vida tiver de ser dada pelo que (ou por quem) amamos. Estes são os sutis porém vitais detalhes que nos distinguem, samurais, dos demais homens e guerreiros deste mundo.

sexta-feira, fevereiro 06, 2004

Divulgação urgente: hoje, na Rede TV, haverá uma apresentação de Karate Kyokushin no programa "A casa é sua", que vai ao ar às 12:40 h, terminando por volta das 16:00 h. Nossos Senseis farão algumas demonstrações de lutas, defesa pessoal, quebramento (tameshiwari) e katas - as lutas imaginárias.

Sei que a maioria de vocês que visita este blog estará trabalhando neste horário, mas aqueles que tiverem a oportunidade de assistir, não percam !

quarta-feira, fevereiro 04, 2004

Ontem, terminei de ler Harry Potter e a Ordem da Fênix. Realmente um grande livro ! Além da narrativa envolvente e da ficção bem estruturada, características do estilo de J. K. Rowling, a autora aborda temas como preconceito racial, o valor da família, o poder destrutivo da imprensa e a dificuldade do ser humano de lidar com a morte. Tudo isso de forma bastante subliminar, de forma a incutir nas crianças e reavivar nos adultos a consciência destas realidades.

Assim como a de seus precedentes, a leitura deste livro é cheia de ação e suspense, além de ter muitos momentos para rir e, até mesmo, chorar. E como a leitura dos livros anteriores é pré-requisito para a compreensão deste, recomendo a vocês a leitura de toda a série. Assim vocês entenderão por que, com relação a Harry Potter, as pessoas se dividem em dois grupos: os que elogiam e os que não leram !

terça-feira, fevereiro 03, 2004

Ah, sim, e antes que eu me esqueça, preciso corrigir uma errata no post de ontem: a frase sobre ganhar ou perder não é da Martina Navratilova, mas sim da Anna Kournikova. Confusão perdoável, não é ? Duas tenistas russas, louras, com um sobrenome comprido, esquisito e terminando em "ova"...

Novidades do Rock´n´Roll ? Então lá vai, novidades do Rock´n´Roll:

Ontem, entrou para a minha coleção de CDs uma das figurinhas mais difíceis de achar. Depois de muitas buscas na Internet, alguns pedidos de importação e muitos dias de espera, chegou às minhas trêmulas mãos o álbum Metallic Blue, do Steelhouse Lane !

Chega a ser um desafio comentar este álbum sem soar tendencioso: hard rock da mais alta qualidade - cada faixa poderia facilmente vir acompanhada da vinheta "Isto é Hollywood". Assim como Tyketto, Nelson e Warrant, o SHL consegue a façanha de fazer álbuns sem carros-chefe, onde as faixas de um albúm parecem disputar acirradamente entre si o título de "melhor música". Talvez seja até injustiça tentar destacar uma música, mas eu arrisco sugerir a belíssima balada "Find your way home", capaz de arrancar lágrimas dos corações mais pétreos.

Então, fica aqui a minha dica para quem curte hard rock: na sua próxima incursão pela internet em busca de um bom MP3, pare todos os seus downloads e baixe alguma coisa de Steelhouse Lane - qualquer coisa ! Na condição de mais novo proprietário de todos os CDs desta banda, eu garanto a qualidade !

Novas lições de vida proporcionadas pelo Karate:

Durante o treino de ontem, nosso sensei avisou que faria um treino de chutes mais puxado do que o normal. Fizemos o dobro dos chutes que estamos habituados a fazer. E dos dois chutes que costumamos fazer 100 vezes cada, fizemos 150 vezes o primeiro e 200 vezes o segundo.

Parece muito ? Mas não foi tudo. Quando chegamos ao final (todos exaustos, é claro), ele puxou uma nova série de chutes, sem aviso prévio e sem avisar quantos chutes seriam. Foram mais 130 chutes, que nosso Sensei só encerrou quando considerou que todos estavam gritando os Kiais satisfatoriamente altos e fortes.

No momento da meditação, veio a moral da história: devemos estar sempre prontos para enfrentar o inesperado. Devemos ser fortes para lutar além do que estamos acostumados, não só nas artes marciais como também na vida. No Karate, o desafio inesperado pode ser o empate após o último round, nos levando a lutar um inesperado round extra. Na vida, isso pode se traduzir em situações inexplicáveis e de total perplexidade, como perder da noite para o dia alguém que você ama, ou como aquela ocasião que eu passei no último fim-de-semana e que me levou a escrever o post de ontem. Sei que vocês não sabem os detalhes do que tem acontecido, mas tudo virá à luz quando for a hora.

Curioso eu ter aprendido isso ontem, justo quando passo por este momento, mesmo ele sendo tão perplexo quanto tantos outros que já aconteceram.

E vocês, estão preparados para enfrentar o inesperado ?

segunda-feira, fevereiro 02, 2004

Certa vez, recebi um e-mail que continha a seguinte frase, cuja autoria foi atribuída à tenista Martina Navratoliva:

"Quem disse que ganhar ou perder não importa, provavelmente perdeu".

E hoje de manhã, eu estava refletindo sobre o meu fim-de-semana, que apesar de ter sido maravilhoso, ainda não consegui determinar se teve um saldo positivo ou não. Enquanto eu tentava lidar com minha perplexidade, recebi a seguinte mensagem:

"Quando depositamos muita confiança ou expectativas em uma pessoa, o risco de se decepcionar é grande. As pessoas não estão neste mundo para satisfazer nossas expectativas, assim como não estamos aqui para satisfazer as delas. Temos que nos bastar. Nos bastar sempre e, quando procurarmos estar com alguém, fazer isso cientes de que estamos juntos porque gostamos, porque queremos e nos sentimos bem, nunca por precisar de alguém. As pessoas não se precisam. Elas se completam não por serem metades, mas por serem pessoas inteiras, dispostas a dividir objetivos comuns, alegrias e vida. Nunca se abandone."

Sou grato à pessoa que me enviou isso, por sua boa intenção, mas tenho certeza que o infeliz que escreveu essa droga de mensagem nunca esteve sozinho. Ou nunca esteve com alguém, para saber a falta que isso faz.

O que eu preciso não são mensagens idiotas como esta, que soam como prêmios de consolação. Eu preciso de resultados. Concretos. Palpáveis. Palavras não podem ser abraçadas quando as luzes se apagam. Não estarão lá para lhe fazer companhia quando você precisar. Não se pode viver uma vida ao lado apenas de palavras. Será que é tão difícil entender isso ?

Quem tiver algo de realmente construtivo para acrescentar, que deixe seus comentários. E aquele que concordar com o cretino que escreveu aquela mensagem, que me atire a primeira pedra.

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