sexta-feira, fevereiro 04, 2005
Samurais do Gramado
Um dos meus passatempos favoritos, nos raros momentos em que estou em casa, é esparramar-me na poltrona da sala assistindo ao Cartoon Network. Principalmente depois de um dia exaustivo de trabalho e treinos, não há nada melhor do que ligar a televisão e simplesmente se divertir, com um humor (quase) livre de maldades e malícias.
Ultimamente, tenho assistido a um desenho bastante interessante: Super Campeões (no original, Captain Tsubasa). Trata-se de um desenho japonês, protagonizado por um... jogador de futebol !
Tudo bem, foi engraçado assistir ao capítulo em que a Alemanha passou um aperto contra a seleção Japonesa (sem comentários). Mas especialmente ontem, o capítulo tinha um enredo bastante interessante. Tsubasa, o herói da história, aceitou o convite de um olheiro chamado Roberto Rongo para jogar no Brasil. Radiante, ele pega um vôo para São Paulo e vem tentar a sorte num time chamado "Brancos" - qualquer semelhança com um certo time tricolor paulista NÃO é mera coincidência, o que se evidencia na semelhança dos uniformes e do brasão do time.
Foi legal ver o aeroporto de Congonhas e o estádio do Morumbi aparecerem no desenho. Legal ver nosso país recebendo destaque numa obra estrangeira. Legal ver surgir entre os japoneses o interesse num esporte tão pouco popular na terra dos samurais, mas incrivelmente amado em nossa terra. Legal ver a aproximação entre nossas culturas, o oriente encontrando o ocidente. Tudo bem, as marmeladas como o "chute do dragão" e afins são inevitáveis, mas é bacana ver personagens que lutam pela vitória no gramado com a mesma garra dos Cavaleiros do Zodíaco, nossos forçados amigos que destroem galáxias com um espirro mal contido. Não deixa de ser a bravura do Bushido aplicada ao futebol.
Um dos meus passatempos favoritos, nos raros momentos em que estou em casa, é esparramar-me na poltrona da sala assistindo ao Cartoon Network. Principalmente depois de um dia exaustivo de trabalho e treinos, não há nada melhor do que ligar a televisão e simplesmente se divertir, com um humor (quase) livre de maldades e malícias.
Ultimamente, tenho assistido a um desenho bastante interessante: Super Campeões (no original, Captain Tsubasa). Trata-se de um desenho japonês, protagonizado por um... jogador de futebol !
Tudo bem, foi engraçado assistir ao capítulo em que a Alemanha passou um aperto contra a seleção Japonesa (sem comentários). Mas especialmente ontem, o capítulo tinha um enredo bastante interessante. Tsubasa, o herói da história, aceitou o convite de um olheiro chamado Roberto Rongo para jogar no Brasil. Radiante, ele pega um vôo para São Paulo e vem tentar a sorte num time chamado "Brancos" - qualquer semelhança com um certo time tricolor paulista NÃO é mera coincidência, o que se evidencia na semelhança dos uniformes e do brasão do time.
Foi legal ver o aeroporto de Congonhas e o estádio do Morumbi aparecerem no desenho. Legal ver nosso país recebendo destaque numa obra estrangeira. Legal ver surgir entre os japoneses o interesse num esporte tão pouco popular na terra dos samurais, mas incrivelmente amado em nossa terra. Legal ver a aproximação entre nossas culturas, o oriente encontrando o ocidente. Tudo bem, as marmeladas como o "chute do dragão" e afins são inevitáveis, mas é bacana ver personagens que lutam pela vitória no gramado com a mesma garra dos Cavaleiros do Zodíaco, nossos forçados amigos que destroem galáxias com um espirro mal contido. Não deixa de ser a bravura do Bushido aplicada ao futebol.
quarta-feira, fevereiro 02, 2005
Havia um clima diferente ontem, quando cheguei em casa. Em cima da mesa de jantar, uma caixa de papelão continha vários envelopes com as iniciais "A. C.". "Andréa e Carlos"... Foi então que percebi: eram os convites do casamento do meu irmão, evento que acontece daqui a exatos dois meses.
Minutos depois, estavam ele e meus pais reunidos em torno de uma interminável lista de nomes. "E Fulano e Fulana, vamos convidar ? Ah, mas não podemos deixar de convidar os Ciclanos, sempre foram tão presentes... E será que precisamos convidar os...".
Durante muito tempo, esperei com ansiedade por este momento. Vontade de vestir terno e comer bolo ? Nada disso ! Na realidade, não vejo a hora de chegar em casa e não encontrar mais panelas destampadas, refrigerante fora da geladeira, toalha molhada na cadeira do computador, meu irmão na Internet na minha hora de dormir (o computador fica no meu quarto), entre tantos outros incômodos que só quem convive com a figura conhece.
Sim, é bem verdade que estou ansioso para me mer "livre" do meu "querido" irmão mais velho, mas encarar o fato de forma tão concreta me fez pensar em outras mudanças. Em breve meu irmão irá embora definitivamente, sim, mas estará de volta para os almoços de domingo. Logo seremos só meus pais e eu, numa casa tranquila, mas provavelmente esse silêncio será quebrado depois de alguns meses, com o choro de uma criança que trará de volta a presença infantil que tanto tem feito falta naquela casa. Terei mais responsabilidade sobre meus pais, já que logo serei eu quem cuidará deles. Minha família passará por profundas mudanças, e eu acho que ainda não caiu a minha ficha a respeito de como será a minha vida depois disso.
O que quer que venha pela frente, é preciso estar preparado. Exatamente como reza a filosofia do Iaijutsu.
Minutos depois, estavam ele e meus pais reunidos em torno de uma interminável lista de nomes. "E Fulano e Fulana, vamos convidar ? Ah, mas não podemos deixar de convidar os Ciclanos, sempre foram tão presentes... E será que precisamos convidar os...".
Durante muito tempo, esperei com ansiedade por este momento. Vontade de vestir terno e comer bolo ? Nada disso ! Na realidade, não vejo a hora de chegar em casa e não encontrar mais panelas destampadas, refrigerante fora da geladeira, toalha molhada na cadeira do computador, meu irmão na Internet na minha hora de dormir (o computador fica no meu quarto), entre tantos outros incômodos que só quem convive com a figura conhece.
Sim, é bem verdade que estou ansioso para me mer "livre" do meu "querido" irmão mais velho, mas encarar o fato de forma tão concreta me fez pensar em outras mudanças. Em breve meu irmão irá embora definitivamente, sim, mas estará de volta para os almoços de domingo. Logo seremos só meus pais e eu, numa casa tranquila, mas provavelmente esse silêncio será quebrado depois de alguns meses, com o choro de uma criança que trará de volta a presença infantil que tanto tem feito falta naquela casa. Terei mais responsabilidade sobre meus pais, já que logo serei eu quem cuidará deles. Minha família passará por profundas mudanças, e eu acho que ainda não caiu a minha ficha a respeito de como será a minha vida depois disso.
O que quer que venha pela frente, é preciso estar preparado. Exatamente como reza a filosofia do Iaijutsu.
terça-feira, fevereiro 01, 2005
Tive um sonho muito estranho, um dia desses...
Estava caminhando pela praia, o corpo todo coberto pelos ferimentos de guerra. Meu kimono e meu hakama estavam bastante rasgados, em pontos que exibiam muito sangue. O coração batia com dificuldade, a respiração falhava a todo instante. Me senti prestes a desmaiar e, num último momento de lucidez, saquei a espada e apontei-a para o chão, para que ao cair não me permitisse a desonra de tombar de bruços. Despojado de todas as minhas forças, sucumbi sobre os meus joelhos, as mãos agarradas ao cabo da espada que penetrava a areia.
À minha frente, pude ver duas figuras se aproximando: um homem em torno dos seus trinta e três anos, cabelos e barba longos, vestindo uma túnica branca. Suas mãos e pés exibiam curiosas perfurações. Alguns passos atrás, uma mulher revestida de sol, trazendo a lua debaixo de seus pés, e na cabeça, uma coroa. Ambos pararam à minha volta. O homem tomou meu rosto em suas mãos, erguendo-o para observar os ferimentos e as lágrimas que jorravam dos meus olhos fechados. Em meu ser, já não havia força, vontade ou resistência. A mulher começou a falar com o homem:
- Você não acha que já chega ? Já não é demais tudo o que ele já passou ? Já não está na hora dele conhecer a paz, de encerrar a guerra que ele vem travando ? Você não se cansou de vê-lo chorar, de vê-lo sofrer, de ver seu coração parando e sua alma se desfigurando a cada dia que passa ?
Sem demonstrar alterações de humor, o homem pareceu pensar por um instante, e respondeu monossilabicamente:
- ...Não.
Tendo dito isto, soltou meu rosto, virou as costas e foi-se embora. Sem poder fazer nada por si só, a mulher seguiu-o alguns passos atrás. Ambos desapareceram no horizonte, deixando-me a sós com o frio da lâmina de minha espada, a única em quem me restou confiar.
Alguma coisa não está muito certa, moçada, e ainda me falta descobrir o quê.
Estava caminhando pela praia, o corpo todo coberto pelos ferimentos de guerra. Meu kimono e meu hakama estavam bastante rasgados, em pontos que exibiam muito sangue. O coração batia com dificuldade, a respiração falhava a todo instante. Me senti prestes a desmaiar e, num último momento de lucidez, saquei a espada e apontei-a para o chão, para que ao cair não me permitisse a desonra de tombar de bruços. Despojado de todas as minhas forças, sucumbi sobre os meus joelhos, as mãos agarradas ao cabo da espada que penetrava a areia.
À minha frente, pude ver duas figuras se aproximando: um homem em torno dos seus trinta e três anos, cabelos e barba longos, vestindo uma túnica branca. Suas mãos e pés exibiam curiosas perfurações. Alguns passos atrás, uma mulher revestida de sol, trazendo a lua debaixo de seus pés, e na cabeça, uma coroa. Ambos pararam à minha volta. O homem tomou meu rosto em suas mãos, erguendo-o para observar os ferimentos e as lágrimas que jorravam dos meus olhos fechados. Em meu ser, já não havia força, vontade ou resistência. A mulher começou a falar com o homem:
- Você não acha que já chega ? Já não é demais tudo o que ele já passou ? Já não está na hora dele conhecer a paz, de encerrar a guerra que ele vem travando ? Você não se cansou de vê-lo chorar, de vê-lo sofrer, de ver seu coração parando e sua alma se desfigurando a cada dia que passa ?
Sem demonstrar alterações de humor, o homem pareceu pensar por um instante, e respondeu monossilabicamente:
- ...Não.
Tendo dito isto, soltou meu rosto, virou as costas e foi-se embora. Sem poder fazer nada por si só, a mulher seguiu-o alguns passos atrás. Ambos desapareceram no horizonte, deixando-me a sós com o frio da lâmina de minha espada, a única em quem me restou confiar.
Alguma coisa não está muito certa, moçada, e ainda me falta descobrir o quê.
