segunda-feira, maio 30, 2005
Eles eram exímios espadachins, virtualmente invencíveis. Tinham a honra acima de todos os seus valores. Viviam em eterno aperfeiçoamento de suas habilidades na esgrima, fazendo desta prática um caminho em direção à luz e à evolução espiritual. Devotados servidores de seu governo, estes guerreiros privavam pela lealdade entre seus iguais, servindo aos mais fracos com abnegação e humildade. Samurais? Não, meus caros, desta vez estou falando dos Jedis!
Ah, vai me dizer que vocês nunca notaram a semelhança entre ambos? Que nunca repararam, por exemplo, que o elmo do Darth Vader tem o formato exato de um kabuto? Ainda mais agora que eu soube que R2-D2 e C3PO foram inspirados em dois camponeses do filme Fortaleza Escondida, de Akira Kurosawa, tenho mais respaldos para a minha opinião: George Lucas se inspirou nos Samurais para criar os Jedi. E neste último feriado, fui conferir A Vingança dos Sith, o elo que une as duas metades da saga dos samurais do espaço.
Uma coisa eu concluí logo de cara: Cristopher Lee não deve ser o ator mais bem-relacionado entre os produtores de Hollywood. Deu pra notar que George Lucas fez com ele praticamente o mesmo que Peter Jackson já havia feito em O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei. Cabeças rolantes à parte, o filme merece o título de obra-prima, por conciliar aventura, ação, tramas políticas e ótimos efeitos especiais, tudo muito bem entrelaçado. Triste apenas é ver a que ponto pode chegar uma pessoa, mesmo um guerreiro, quando se deixa levar por suas paixões. Triste foi ver a ambição e a cobiça tirarem de um jovem o seu grande amor, confinando-o a uma máscara de ferro.
É fato que, no final das contas, achei um filme triste, o que ainda assim não diminui sua qualidade. Nota dez com louvores para você, George - sua nota não poderia mesmo ser outra.
Ah, vai me dizer que vocês nunca notaram a semelhança entre ambos? Que nunca repararam, por exemplo, que o elmo do Darth Vader tem o formato exato de um kabuto? Ainda mais agora que eu soube que R2-D2 e C3PO foram inspirados em dois camponeses do filme Fortaleza Escondida, de Akira Kurosawa, tenho mais respaldos para a minha opinião: George Lucas se inspirou nos Samurais para criar os Jedi. E neste último feriado, fui conferir A Vingança dos Sith, o elo que une as duas metades da saga dos samurais do espaço.
Uma coisa eu concluí logo de cara: Cristopher Lee não deve ser o ator mais bem-relacionado entre os produtores de Hollywood. Deu pra notar que George Lucas fez com ele praticamente o mesmo que Peter Jackson já havia feito em O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei. Cabeças rolantes à parte, o filme merece o título de obra-prima, por conciliar aventura, ação, tramas políticas e ótimos efeitos especiais, tudo muito bem entrelaçado. Triste apenas é ver a que ponto pode chegar uma pessoa, mesmo um guerreiro, quando se deixa levar por suas paixões. Triste foi ver a ambição e a cobiça tirarem de um jovem o seu grande amor, confinando-o a uma máscara de ferro.
É fato que, no final das contas, achei um filme triste, o que ainda assim não diminui sua qualidade. Nota dez com louvores para você, George - sua nota não poderia mesmo ser outra.
quinta-feira, maio 12, 2005
Momentos em que a vida pede um "basta"
Me lembro que, há algum tempo atrás, alguém me mandou um e-mail sugerindo que se matasse um dia de trabalho. "Desculpas não faltam", dizia o e-mail, "tire um dia para si mesmo". Outro e-mail, recebido em outra época, falava do quanto é saudável quebrar a rotina vez ou outra: fazer outro caminho do trabalho pra casa, pedir um suco de outro sabor no almoço, escolher uma cor diferente no armário ou na loja. Hoje eu resolvi seguir todos esses conselhos.
Eram quase nove horas da manhã, e como tem sido de costume ultimamente, estava dando uma carona para a minha namorada, até o seu local de trabalho. Hoje, ela teria que dar aulas de inglês para um de seus alunos particulares, no Centro Cultural. Quanto a mim, uma série de orçamentos, programas, rotinas e e-mails solicitando resposta me esperavam. Parei o carro, nos olhamos nos olhos e, aparentemente, estava tudo ali: rotina de todos os dias, problemas de todos os dias, todos os problemas do cotidiano pairando entre nós. Não seria essa a hora certa de darmos um "basta" a nosso favor?
Um telefonema para o aluno dela e outro para o banco, os dois avisando que iríamos chegar mais tarde. E foi assim que fugimos juntos, e tiramos uma manhã inteira para nós. É bom fazer uma loucura com quem se ama, de vez em quando. Às vezes, é até necessário.
Me lembro que, há algum tempo atrás, alguém me mandou um e-mail sugerindo que se matasse um dia de trabalho. "Desculpas não faltam", dizia o e-mail, "tire um dia para si mesmo". Outro e-mail, recebido em outra época, falava do quanto é saudável quebrar a rotina vez ou outra: fazer outro caminho do trabalho pra casa, pedir um suco de outro sabor no almoço, escolher uma cor diferente no armário ou na loja. Hoje eu resolvi seguir todos esses conselhos.
Eram quase nove horas da manhã, e como tem sido de costume ultimamente, estava dando uma carona para a minha namorada, até o seu local de trabalho. Hoje, ela teria que dar aulas de inglês para um de seus alunos particulares, no Centro Cultural. Quanto a mim, uma série de orçamentos, programas, rotinas e e-mails solicitando resposta me esperavam. Parei o carro, nos olhamos nos olhos e, aparentemente, estava tudo ali: rotina de todos os dias, problemas de todos os dias, todos os problemas do cotidiano pairando entre nós. Não seria essa a hora certa de darmos um "basta" a nosso favor?
Um telefonema para o aluno dela e outro para o banco, os dois avisando que iríamos chegar mais tarde. E foi assim que fugimos juntos, e tiramos uma manhã inteira para nós. É bom fazer uma loucura com quem se ama, de vez em quando. Às vezes, é até necessário.
terça-feira, maio 10, 2005
Lealdade (neste caso, "fidelidade")
O Bushido surgiu e foi consolidado juntamente com a história dos samurais, durante os períodos Heian a Tokugawa. As virtudes do Bushido, Justiça (GI), Coragem (YUU), Benevolência (Jin), Educação (Rei), Sinceridade (Makoto), Honra (Meiyo) e Lealdade (Chuugi) tiveram sua origem em três correntes principais, o Budismo, o Shintoismo e o Confucionismo.
Do Budismo, o Bushido herdou o desapego pela vida e a coragem ao encarar a morte. A relação com a sociedade e a importância do nome da família vem do Confucionismo. Do Shintoismo, o Bushido pegou a lealdade, tão importante para o samurai.
Fonte: Instituto Niten
Existe uma coisa em mim que não me agrada ver questionada: minha fidelidade. Podem me chamar de antiquado, babaca ou o quê, mas uma coisa da qual não abro mão é de ser fiel a alguém. Se encontrei uma pessoa que me satisfaz, pode vir a Gisele Bundchen me cantar que eu prefiro ficar na minha. Ou como eu costumo dizer, "Quem tem caviar em casa não procura dobradinha na esquina". Não que a Gisele Bundchen seja "dobradinha" (muito pelo contrário!), mas se você está satisfeito com o que tem... pra que procurar mais?
Triste é ver que muitas pessoas discordam disso, e mais triste ainda é ver como elas discordam. Triste é ver que certos valores, tão fundamentais ao bem-estar comum, estejam sendo postos de lado. Durante o almoço de hoje, um amigo meu - casado! - insistia em que eu traísse minha namorada. Dá só uma olhada como foi o teor da conversa:
- Você é trouxa. Tanta mulher nesse banco querendo dar, e você não faz nada! Fulana aquele dia quis dar pra você, disse que não tinha nada pra fazer à noite, e você não foi! Não ia fazer nada à noite, e não foi...
- Se eu não fui, é porque tinha coisa melhor pra fazer à noite.
- Melhor do que sexo?
- Sexo com a pessoa certa. Sexo com quem EU queria. Pra quê abrir mão disso?
- Passa a vara em todo mundo! Tem mais é que transar com todo mundo...
- Tenho porra nenhuma, tô contente com o que eu tenho em casa e não preciso provar nada pra ninguém. E você, acha justo com a sua mulher você pensar assim?
- Olha aí você confundindo as coisas. Com ela é amor; amo minha esposa, amo minhas filhas, não largo minha mulher por nada. Sexo é outra coisa, é instinto; pingou na área, eu não perdôo. Me deu a deixa, eu não passo vontade.
- Queria ver se a SUA MULHER pensasse igual...
- Olha quem tá falando: tô casado com ela há vinte anos. E você, sequer é casado, por acaso?
Já diria o monge Takuan, mentor espiritual de Musashi: o ignorante prevalece sobre o sábio, porque o primeiro não compreende o último.
Me sinto cercado de injustiça...
O Bushido surgiu e foi consolidado juntamente com a história dos samurais, durante os períodos Heian a Tokugawa. As virtudes do Bushido, Justiça (GI), Coragem (YUU), Benevolência (Jin), Educação (Rei), Sinceridade (Makoto), Honra (Meiyo) e Lealdade (Chuugi) tiveram sua origem em três correntes principais, o Budismo, o Shintoismo e o Confucionismo.
Do Budismo, o Bushido herdou o desapego pela vida e a coragem ao encarar a morte. A relação com a sociedade e a importância do nome da família vem do Confucionismo. Do Shintoismo, o Bushido pegou a lealdade, tão importante para o samurai.
Fonte: Instituto Niten
Existe uma coisa em mim que não me agrada ver questionada: minha fidelidade. Podem me chamar de antiquado, babaca ou o quê, mas uma coisa da qual não abro mão é de ser fiel a alguém. Se encontrei uma pessoa que me satisfaz, pode vir a Gisele Bundchen me cantar que eu prefiro ficar na minha. Ou como eu costumo dizer, "Quem tem caviar em casa não procura dobradinha na esquina". Não que a Gisele Bundchen seja "dobradinha" (muito pelo contrário!), mas se você está satisfeito com o que tem... pra que procurar mais?
Triste é ver que muitas pessoas discordam disso, e mais triste ainda é ver como elas discordam. Triste é ver que certos valores, tão fundamentais ao bem-estar comum, estejam sendo postos de lado. Durante o almoço de hoje, um amigo meu - casado! - insistia em que eu traísse minha namorada. Dá só uma olhada como foi o teor da conversa:
- Você é trouxa. Tanta mulher nesse banco querendo dar, e você não faz nada! Fulana aquele dia quis dar pra você, disse que não tinha nada pra fazer à noite, e você não foi! Não ia fazer nada à noite, e não foi...
- Se eu não fui, é porque tinha coisa melhor pra fazer à noite.
- Melhor do que sexo?
- Sexo com a pessoa certa. Sexo com quem EU queria. Pra quê abrir mão disso?
- Passa a vara em todo mundo! Tem mais é que transar com todo mundo...
- Tenho porra nenhuma, tô contente com o que eu tenho em casa e não preciso provar nada pra ninguém. E você, acha justo com a sua mulher você pensar assim?
- Olha aí você confundindo as coisas. Com ela é amor; amo minha esposa, amo minhas filhas, não largo minha mulher por nada. Sexo é outra coisa, é instinto; pingou na área, eu não perdôo. Me deu a deixa, eu não passo vontade.
- Queria ver se a SUA MULHER pensasse igual...
- Olha quem tá falando: tô casado com ela há vinte anos. E você, sequer é casado, por acaso?
Já diria o monge Takuan, mentor espiritual de Musashi: o ignorante prevalece sobre o sábio, porque o primeiro não compreende o último.
Me sinto cercado de injustiça...
segunda-feira, maio 09, 2005
Imagine a seguinte cena: manhã de sábado ou de um feriado qualquer. Céu azul, sol forte e nenhuma nuvem no céu. Você pega sua namorada em casa, e cai na estrada com ela rumo à praia. Você acelera e aumenta o som enquanto observa a gata ao seu lado colocar os óculos de sol, ao mesmo tempo que o vento entrando pelas janelas do carro faz esvoaçar os cabelos dela.
Chegando no litoral, sol de quarenta graus e uma casa cheia de amigos esperando. O almoço é um churrasco à beira da piscina, com o som no último volume, latinhas de cerveja por todo o canto e muitas, muitas risadas. Depois daquele cochilo deitado na rede da varanda, sua namorada volta dos quartos, lhe presenteando com seu primeiro desfile de biquini. Todo mundo vai dar uma volta na praia, pegar um pouco de sol, dar um mergulho no mar, fazer um círulo na areia e brincar com uma bola.
À noite, fila pra tomar banho e um rolê pela cidade. Passagem obrigatória pela feirinha hippie local, com esticada até a sorveteria. O carro cheio de amigos desfila pela avenida à beira-mar, com os vidros abertos e o som bem alto. Na volta para casa, um mergulho na piscina (de noite, sim, e daí?), seguido de partidas de truco e rodas de violão. Novos desfiles pra mostrar as marquinhas de biquini, e uma madrugada inteira pra dormir abraçado, ouvindo o barulho do mar e do ventilador no teto.
Foi na esperança de viver tudo isso que, ontem, concretizei um antigo projeto: gravar a trilha sonora desse sonho, uma coletânea de "Hollywood Hits" - aquelas músicas alto astral que poderiam, perfeitamente, ser o fundo musical das propagandas de uma certa marca de cigarros, que associava sua marca ao verão e aos esportes radicais. E o mais legal: consegui montar uma coletânea somente com "B-sides", ou seja, aquelas músicas que ninguém conhece, mas mesmo assim são excelentes.
Pra quem quiser conhecer um pouco mais desses sons, e agitar uma ocasião qualquer com os amigos na praia, segue aí a listinha final. Recomendo um download a quem não os conhece, são sons muito legais:
The last note of freedom - David Coverdale
Hell on high heels - Pretty Maids
Wings - Tyketto
Still the night - John Norum
After the rain - Nelson
Still - Steelhouse Lane
Can´t slow down - Ten
We will be strong - John Norum & Joey Tempest
I wanna be loved - House of Lords
My way - Kiss
If love should go - Steelhouse lane
Night Buzz - John Norum
All my bridges are burning - Warrant
Bits and pieces - Nelson
Meet me in the night - Tyketto
Green-tinted sixties mind - Mr. Big
Chegando no litoral, sol de quarenta graus e uma casa cheia de amigos esperando. O almoço é um churrasco à beira da piscina, com o som no último volume, latinhas de cerveja por todo o canto e muitas, muitas risadas. Depois daquele cochilo deitado na rede da varanda, sua namorada volta dos quartos, lhe presenteando com seu primeiro desfile de biquini. Todo mundo vai dar uma volta na praia, pegar um pouco de sol, dar um mergulho no mar, fazer um círulo na areia e brincar com uma bola.
À noite, fila pra tomar banho e um rolê pela cidade. Passagem obrigatória pela feirinha hippie local, com esticada até a sorveteria. O carro cheio de amigos desfila pela avenida à beira-mar, com os vidros abertos e o som bem alto. Na volta para casa, um mergulho na piscina (de noite, sim, e daí?), seguido de partidas de truco e rodas de violão. Novos desfiles pra mostrar as marquinhas de biquini, e uma madrugada inteira pra dormir abraçado, ouvindo o barulho do mar e do ventilador no teto.
Foi na esperança de viver tudo isso que, ontem, concretizei um antigo projeto: gravar a trilha sonora desse sonho, uma coletânea de "Hollywood Hits" - aquelas músicas alto astral que poderiam, perfeitamente, ser o fundo musical das propagandas de uma certa marca de cigarros, que associava sua marca ao verão e aos esportes radicais. E o mais legal: consegui montar uma coletânea somente com "B-sides", ou seja, aquelas músicas que ninguém conhece, mas mesmo assim são excelentes.
Pra quem quiser conhecer um pouco mais desses sons, e agitar uma ocasião qualquer com os amigos na praia, segue aí a listinha final. Recomendo um download a quem não os conhece, são sons muito legais:
The last note of freedom - David Coverdale
Hell on high heels - Pretty Maids
Wings - Tyketto
Still the night - John Norum
After the rain - Nelson
Still - Steelhouse Lane
Can´t slow down - Ten
We will be strong - John Norum & Joey Tempest
I wanna be loved - House of Lords
My way - Kiss
If love should go - Steelhouse lane
Night Buzz - John Norum
All my bridges are burning - Warrant
Bits and pieces - Nelson
Meet me in the night - Tyketto
Green-tinted sixties mind - Mr. Big
quinta-feira, maio 05, 2005
Vocês se lembram daquele post que eu publiquei ontem, sobre os bombeiros? Pois é, eu passei para apenas uma pessoa, e hoje aquele e-mail rodou o banco inteiro e acabou voltando para mim. Parece que o pessoal por aqui gostou daquela piada.
Legal, agora eu sei como nascem as piadas e aqueles e-mails que todo mundo recebe, mas não sabe de onde veio.
Legal, agora eu sei como nascem as piadas e aqueles e-mails que todo mundo recebe, mas não sabe de onde veio.
quarta-feira, maio 04, 2005
Se analistas de sistemas fossem bombeiros
Tivemos hoje um problema no sistema. Ficamos fora do ar, e o rebuliço foi do tamanho de um incêndio no Edifício Martinelli. Veja qual foi o papel de cada elemento nesta situação:
O Analista de Sistemas (vulgo EU): É o bombeiro tentando apagar o incêndio.
O Gerente de Tecnologia: Além de ser o último a saber do incêndio, quer que todos os bombeiros parem tudo, e expliquem para ele EM DETALHES por que o prédio está pegando fogo.
O Diretor: Quer que os bombeiros parem tudo para lhe dar uma previsão de quando terminará o rescaldo, e digam se já foi planejada alguma providência para que não aconteça outro incêndio como esse.
O Coordenador: É o cara que ouve você dizer "Eu desconfio que foi um problema no aquecimento central", e já sai correndo para processar o fabricante de aquecedores.
O Analista de Outro Sistema: É o vizinho que vem te cutucar para tirar o gato dele de cima da árvore e, depois de quinze minutos, vai reclamar com o chefe dos bombeiros que o gato dele continua em cima da árvore.
O Analista do Help-Desk: É o repórter que vem, de hora em hora, lhe perguntar qual a situação do incêndio, e quando ele estará apagado. Tudo isso em cadeia nacional, no plantão do telejornal, enquanto seu nome aparece no rodapé de televisores do país inteiro.
O Analista de Produção: é o operador de rádio do corpo de bombeiros que, quando você chama solicitando reforços e carros de resgate, lhe diz que este pedido precisa da aprovação por escrito do seu capitão.
O Usuário: é a mocinha esperta, que teve a brilhante idéia de fumar deitada no edredon, e agora tá lá na janela, se esgoelando.
Tivemos hoje um problema no sistema. Ficamos fora do ar, e o rebuliço foi do tamanho de um incêndio no Edifício Martinelli. Veja qual foi o papel de cada elemento nesta situação:
O Analista de Sistemas (vulgo EU): É o bombeiro tentando apagar o incêndio.
O Gerente de Tecnologia: Além de ser o último a saber do incêndio, quer que todos os bombeiros parem tudo, e expliquem para ele EM DETALHES por que o prédio está pegando fogo.
O Diretor: Quer que os bombeiros parem tudo para lhe dar uma previsão de quando terminará o rescaldo, e digam se já foi planejada alguma providência para que não aconteça outro incêndio como esse.
O Coordenador: É o cara que ouve você dizer "Eu desconfio que foi um problema no aquecimento central", e já sai correndo para processar o fabricante de aquecedores.
O Analista de Outro Sistema: É o vizinho que vem te cutucar para tirar o gato dele de cima da árvore e, depois de quinze minutos, vai reclamar com o chefe dos bombeiros que o gato dele continua em cima da árvore.
O Analista do Help-Desk: É o repórter que vem, de hora em hora, lhe perguntar qual a situação do incêndio, e quando ele estará apagado. Tudo isso em cadeia nacional, no plantão do telejornal, enquanto seu nome aparece no rodapé de televisores do país inteiro.
O Analista de Produção: é o operador de rádio do corpo de bombeiros que, quando você chama solicitando reforços e carros de resgate, lhe diz que este pedido precisa da aprovação por escrito do seu capitão.
O Usuário: é a mocinha esperta, que teve a brilhante idéia de fumar deitada no edredon, e agora tá lá na janela, se esgoelando.
Antes tarde do que nunca
(Um post atrasado, mas que não poderia ficar de lado)
Eu me lembro muito bem de como foi nossa infância. As guerras de travesseiro no quarto, as revistinhas da Disney que nós líamos, os desenhos que torcíamos e vibrávamos juntos: Speed Racer, Ultra Seven, Robô Gigante. Me lembro de todas as vezes que ele me despistava para ir brincar com os vizinhos, porque não queria o irmãozinho na cola dele. Me lembro dos pegas no nosso Autorama do Nelson Piquet, ele com a Brabham branca, eu com a Ligier azul. Me lembro daquela revistinha do Tio Patinhas, de onde recortamos um cupom na contra-capa para concorrer a um minibuggy Fapinha. Me recordo de quando eu ia, com os meus pais, levá-lo aos escoteiros, enquanto eu sonhava em entrar para o grupo - o desaparecimento de um escoteiro ao redor do Pico do Jaraguá, noticiado ao país inteiro pela TV, fez meu pai mudar radicalmente de idéia, frustrando minhas esperanças. Me lembro de quando nos reuníamos em torno do nosso Supergame (uma versão genérica do Atari), e anos antes, quando brincávamos com o tataravô dos videogames, o Telejogo.
Eu me lembro também da nossa adolescência. Os anos passaram, e logo fomos trocando os brinquedos por carros de verdade: primeiro ele, e depois de alguns anos foi a minha vez. Lembro dele aprendendo a dirigir super cedo, e saindo com o carro sem habilitação. Lembro das bobagens que ele fez atrás de um volante, e que graças a elas, eu só fui pôr as mãos em um carro do meu pai às vésperas de completar 18 anos. Me lembro de como ele se tornou distante, fechado em si mesmo, quase um estranho para a família que o rodeava. Me lembro de quando me tornei baixista da banda dos seus amigos de colegial, e da ausência dele nas apresentações desta e de muitas bandas posteriores. Me lembro também que, para que ele se abrisse novamente comigo e com meus pais, dei a ele um presente estrategicamente escolhido, em seu aniversário de 29 anos: um Mach-5 de brinquedo, o carro do Speed Racer. "Seu irmão ficou todo feliz, parecia uma criança com um brinquedo novo". Foi o que a minha mãe me disse horas depois. Foi o que eu mesmo presenciei quando ele abriu o presente.
No último dia 2 de abril, tudo isso passou diante dos meus olhos, de uma só vez, enquanto sua noiva atravessava a igreja em direção ao altar. Eu o conheço desde que me entendo por gente, e de repente ele estava ali, na minha frente, tremendo e suando frio. Era o fim de toda uma história, e o início de outra. Na hora de cumprimentar os padrinhos, ele me abraça e diz: "Se cuida, viu? Agora, você tem a responsabilidade de cuidar do pai e da mãe". Não consegui conter uma lágrima, ao ver meu irmão ganhar o mundo enquanto deixava para trás a casa onde crescemos, as revistinhas que lemos juntos, o mundo onde sonhávamos ser Speed Racer e o Corredor X.
(Um post atrasado, mas que não poderia ficar de lado)
Eu me lembro muito bem de como foi nossa infância. As guerras de travesseiro no quarto, as revistinhas da Disney que nós líamos, os desenhos que torcíamos e vibrávamos juntos: Speed Racer, Ultra Seven, Robô Gigante. Me lembro de todas as vezes que ele me despistava para ir brincar com os vizinhos, porque não queria o irmãozinho na cola dele. Me lembro dos pegas no nosso Autorama do Nelson Piquet, ele com a Brabham branca, eu com a Ligier azul. Me lembro daquela revistinha do Tio Patinhas, de onde recortamos um cupom na contra-capa para concorrer a um minibuggy Fapinha. Me recordo de quando eu ia, com os meus pais, levá-lo aos escoteiros, enquanto eu sonhava em entrar para o grupo - o desaparecimento de um escoteiro ao redor do Pico do Jaraguá, noticiado ao país inteiro pela TV, fez meu pai mudar radicalmente de idéia, frustrando minhas esperanças. Me lembro de quando nos reuníamos em torno do nosso Supergame (uma versão genérica do Atari), e anos antes, quando brincávamos com o tataravô dos videogames, o Telejogo.
Eu me lembro também da nossa adolescência. Os anos passaram, e logo fomos trocando os brinquedos por carros de verdade: primeiro ele, e depois de alguns anos foi a minha vez. Lembro dele aprendendo a dirigir super cedo, e saindo com o carro sem habilitação. Lembro das bobagens que ele fez atrás de um volante, e que graças a elas, eu só fui pôr as mãos em um carro do meu pai às vésperas de completar 18 anos. Me lembro de como ele se tornou distante, fechado em si mesmo, quase um estranho para a família que o rodeava. Me lembro de quando me tornei baixista da banda dos seus amigos de colegial, e da ausência dele nas apresentações desta e de muitas bandas posteriores. Me lembro também que, para que ele se abrisse novamente comigo e com meus pais, dei a ele um presente estrategicamente escolhido, em seu aniversário de 29 anos: um Mach-5 de brinquedo, o carro do Speed Racer. "Seu irmão ficou todo feliz, parecia uma criança com um brinquedo novo". Foi o que a minha mãe me disse horas depois. Foi o que eu mesmo presenciei quando ele abriu o presente.
No último dia 2 de abril, tudo isso passou diante dos meus olhos, de uma só vez, enquanto sua noiva atravessava a igreja em direção ao altar. Eu o conheço desde que me entendo por gente, e de repente ele estava ali, na minha frente, tremendo e suando frio. Era o fim de toda uma história, e o início de outra. Na hora de cumprimentar os padrinhos, ele me abraça e diz: "Se cuida, viu? Agora, você tem a responsabilidade de cuidar do pai e da mãe". Não consegui conter uma lágrima, ao ver meu irmão ganhar o mundo enquanto deixava para trás a casa onde crescemos, as revistinhas que lemos juntos, o mundo onde sonhávamos ser Speed Racer e o Corredor X.
